Souto Moura em Foz Tua, Calapez e Cabrita Reis em Picote e Bemposta

Porto, 28 de fevereiro de 2012

Eduardo Souto Moura apresenta hoje o projeto para o edifício do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua. A obra, a primeira do Arq. numa barragem, traduz o objectivo da EDP de reduzir o impacto daquela infraestrutura na paisagem do Douro Vinhateiro, classificada como Património da Humanidade, e ainda de trazer para a região um novo foco de atração cultural e turística.

"Eliminar todo o carácter de ?edifício? a esta construção, reduzindo a sua imagem ao carácter de ?máquina? inserida na paisagem", eis o princípio que orientou o desenvolvimento do projeto, segundo Souto Moura.

Quase integralmente subterrânea, a obra adopta formas e materiais característicos da região. Estão presentes os socalcos, o granito, as oliveiras. À superfície, descreve o arquiteto, "tendo como pano de fundo a barragem, e em primeiro plano a ponte do Eng. Edgar Cardoso, a imagem do edifício da Central ficará reduzido a um complexo de máquinas que obrigatoriamente deverá ficar no exterior, na natureza, artificialmente natural".

A intervenção de Souto Moura consolida as várias soluções que a EDP tem vindo a integrar no projeto da barragem de Foz Tua para minimizar as alterações morfológicas das vertentes, a volumetria exposta das obras e o seu impacto visual.

Entre outras, destacam-se: a opção por uma subestação compacta em edifício, a eliminação das torres das comportas junto aos bocais da restituição, a adopção de um talude de escavação com elevada inclinação com vista a diminuir a sua altura e a oculta-lo pelo edifício  da central, o arranjo arquitectónico integrado, a não execução do acesso à margem esquerda através do coroamento da barragem de forma a reduzir o impacto paisagístico e proteger comunidades florísticas, ou ainda a definição de zonas de "não-afectação? florística na margem direita, mantendo a vegetação ribeirinha natural.

Relativamente ao Aproveitamento de Foz Tua:

O aproveitamento hidroeléctrico de Foz Tua, situado no troço inferior do rio Tua, perto da sua confluência com o rio Douro, foi objecto do primeiro concurso público lançado pelo Instituto da Água (INAG), no âmbito do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH).

Iniciada a construção em 2011, a barragem de Foz Tua tem a sua conclusão prevista para 2016, envolvendo um investimento da ordem dos 305 milhões de euros e criando cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos.

O novo empreendimento será constituído por uma barragem em betão, do tipo abóbada, por uma central subterrânea com dois grupos reversíveis com uma potência total de 259 MW. Prevê-se uma produção bruta anual de 585 GWh.

Intervenções artísticas valorizam património cultural e turístico das regiões das barragens

As obras de Pedro Cabrita Reis na barragem da Bemposta e de Pedro Calapez na central hidroelétrica de Picote estão integradas num projeto de criação de um roteiro de Arte Pública e Arquitetura que irá abranger as novas barragens, bem como os centros produtores onde a EDP tem em curso obras de reforço de potência.

Ao associar a Arte Pública às grandes infraestruturas de energia, a EDP quer criar um movimento cultural contemporâneo, dotando as regiões de um conjunto relevante de intervenções de artistas plásticos conceituados, com a convicção de que estas serão um novo fator de promoção e atratividade local. Trata-se de um roteiro inovador, único no mundo, que os atores regionais, públicos e privados, podem transformar num ativo turístico que contribua para o desenvolvimento social e económico local. Para a EDP, a Arte e Arquitetura em Barragens é um projeto único, próprio de uma grande empresa do século XXI, que tem memória, responsabilidade e ambição.

Este projeto de aliar arte e barragens tem as suas raízes nas obras que foram feitas nas barragens no Douro nos anos 50/60. A visão e a capacidade da EDP deu origem, por exemplo, ao ?Moderno Escondido?, designação atribuída a intervenções arquitectónicas realizadas em várias barragens. Desde que foi revelado, este ?Moderno Escondido? passou a integrar o roteiro de investigadores e escolas de arquitetura de vários países da Europa, sendo considerado um dos mais importantes exemplos de Arquitetura Moderna.

No campo das artes plásticas, algumas das mais antigas barragens já têm obras instaladas, como é o caso de Venda Nova, que tem um painel de Graça Morais na sala da central.

Da cor das Flores, de Pedro Cabrita Reis, na Bemposta

Da cor das flores, de Pedro Cabrita Reis, é uma intervenção artística que convoca a pintura mas também a escultura e que, em ambos os casos, dialoga com a tradição da land art na ampliação da nossa perceção das paisagens naturais e humanas.

O artista intervém sobre parte do vasto território definido pela construção dos acessos e zonas técnicas da Barragem. Muretes e muros de sustentação, paredes de edifícios e paredões de cimento assumem a cor dos equipamentos mecânicos móveis que servem à manutenção das turbinas.

A paisagem é assim reiterada por 2.700 litros de amarelo aplicados numa superfície de 13.000 m2, numa imagem, ora contínua, como uma muralha, ora dispersa, como um campo de flores na encosta seca. A opção artística da cor é inspirada no próprio sentido industrial da obra, seu funcionamento e sua conservação. E é também uma forma de homenagear todos os construtores destas "fábricas de luz", desde operários a engenheiros - uma ideia recorrente na Obra deste Artista.

Pedro Cabrita Reis nasceu em Lisboa em 1956, cidade onde vive e trabalha. A sua obra, crucial para o entendimento da escultura a partir de meados da década de 1980, é caraterizada por um idiossincrático discurso filosófico e poético, englobando uma grande variedade de meios: pintura, escultura, fotografia e instalações compostas de materiais encontrados e de objetos manufaturados. Centradas em questões relativas ao espaço, à arquitetura e à memória, as suas obras adquirem um sugestivo poder de associação que, transpondo o visual, alcança uma dimensão metafórica. Cabrita Reis inaugurou recentemente uma Sala Individual na Tate Modern em Londres. A sua obra foi alvo de uma grande Retrospectiva no CCB em Lisboa, em 2011.

71 volts (magia elétrica) de Pedro Calapez, em Picote

A intervenção de Pedro Calapez desenvolve-se através do uso de uma nova tecnologia adaptada pelo artista às necessidades desta sua produção. Desenhos coloridos mas inteiramente digitais, gerados em computador e passíveis de serem impressos em papel, são, neste caso, aplicados a painéis de vidro temperado.
Quatro grupos desses painéis, somando 71 elementos no total, sustentados por um discreto sistema de fixação metálica, preenchem parte das paredes longitudinais da grande nave da sala das turbinas de Picote II, ocupando uma superfície total de 142 m2. Os motivos que o artista trabalha são fragmentos retirados de imagens e sinaléticas relacionadas com a produção energética, nas suas vertentes científica, tecnológica, de segurança e comunicação gráfica. A cor, a disparidade de motivos, o modo como o vidro recebe e reflete a luz do interior da nave são elementos dinamizadores da obra junto dos observadores.

Pedro Calapez nasceu em Lisboa (1953), onde vive e trabalha. Começou a participar em exposições nos anos 70, tendo realizado a sua primeira individual em 1982. O seu trabalho tem sido mostrado em diversas galerias e museus, tanto em Portugal como no estrangeiro. Recebeu, entre outros, o "Premio Nacional de Arte Gráfico", Real Academia de Bellas Artes, Madrid e o "Prémio AICA" (Associação Internacional de Críticos de Arte - Secção Portuguesa).

Imagens