Programa Nacional de Barragens

A estratégia de aumentar a produção de energia renovável, limpa e endógena contempla a construção de novas barragens. Portugal tem ainda mais de 50% do seu potencial hídrico por aproveitar, um dos mais baixos índices da Europa. É essa sub-utilização que sustenta o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), aprovado pelo Governo em 2007.

Além de ajudarem a reduzir a dependência energética do exterior, as barragens, em particular as reversíveis, têm outras vantagens: reforçam a segurança do sistema de abastecimento eléctrico e armazenam a energia excedentária produzida pelas eólicas.

  • Segurança de abastecimento: A energia eólica e solar são formas de produção intermitentes. Quando não há sol ou vento é necessário continuar a assegurar o fornecimento de electricidade, recorrendo-se a tecnologias alternativas, como as térmicas e hídricas. As centrais hidroeléctricas são a solução que mais rapidamente responde a estas quebras na produção, tal como a inesperados picos de procura.
  • Armazenamento de energia: Nem sempre os períodos de maior produção de energia eólica correspondem aos de maior consumo. Durante a noite, por exemplo, há mais vento e menos consumo. Para evitar que essa energia injectada na rede seja desaproveitada, as centrais hidroeléctricas reversíveis aproveitam para bombear a água, de jusante para montante, reenchendo as albufeiras com água que aí ficará armazenada até haver uma subida do consumo energético que justifique entrada em funcionamento ou reforço da produção da central. Esta flexibilidade ajudará a potenciar a plena utilização dos parques eólicos a instalar no país nos próximos anos.

Os oito projectos concessionados no âmbito do Programa Nacional de Barragens (PNB) só deverão entrar em pleno funcionamento no final da próxima década.

A EDP vai construir dois destes projectos (Foz Tua, Fridão). O Grupo prevê acrescentar 2.400 MW ao seu actual parque hídrico, composto por 36 barragens.

Os grupos espanhóis Iberdrola e Endesa vão construir e explorar as restantes cinco barragens do PNB. Nessa altura, a capacidade hidroeléctrica do país deverá rondar os 9.000 MW, produzindo 17, 9 TWh/ano1 de produção bruta ou 13,3 TWh/ano de produção líquida de bombagem. Será o suficiente para abastecer 2,2 milhões de pessoas2 com electricidade produzida a partir de energias renováveis.

1 Tendo como referência produção ano médio em 2008:11,4TWh;
2 Considerando um crescimento médio anual do consumo de 2% teremos um consumo anual per capita na ordem dos 6.000kWh em 2019 (4.500 kWh, actualmente); utilizando para cálculo a produção líquida de bombagem (13,3 TWh/ano);