Bemposta II

Desempenho ambiental

Desempenho ambiental

aproveitamento hidroeléctrico
do douro internacional
Reforço de Potência de Bemposta

 

 

 

Declaração de
Impacte Ambiental

Plano de Vigilância da Qualidade da Água

Porquê esta iniciativa?

Além da utilização para produção de energia eléctrica, existem outros usos para a água das albufeiras de Picote (Miranda do Douro) e de Bemposta (Mogadouro), nomeadamente, o abastecimento público e a utilização para atividades recreativas e culturais, ligadas à observação da natureza, à pesca e ao lazer.

As obras em Picote e Bemposta poderão provocar um aumento dos sólidos suspensos na água da albufeira e o abaixamento do nível da água das albufeiras poderá contribuir também para reduzir a qualidade da água.

O que está a ser feito?

Para garantir uma vigilância regular da qualidade da água nas albufeiras está a ser implementado um Plano Vigilância da Qualidade da Água.

São realizadas análises físico-química, biológicas e microbiológicas, de forma a permitir a detecção de situações de poluição e de alterações de qualidade.

Efetuam-se, anualmente quatro campanhas de amostragem coincidentes com as estações do ano nas albufeiras de Picote e Bemposta. As recolhas de amostra intensificam-se, na fase de construção, nos períodos de abaixamentos das referidas albufeiras e condicionamentos de caudais. Procede-se à recolha de amostras a diferentes alturas de água em dois locais diferentes, a 300 e a 1300 m do paredão das barragens. Nos períodos de abaixamento e condicionamentos de caudais, são ainda determinados, com uma periodicidade pré-definida, os perfis de temperatura e oxigénio, nas áreas de potencial risco, para detectar rapidamente qualquer situação de proliferação excessiva de algas, próxima do limite aceitável para a sobrevivência dos peixes.

Principais resultados

Os resultados dos últimos anos mostraram que na generalidade durante o período de construção a qualidade da água manteve as suas características, à exceção da fase mais crítica dos abaixamentos, períodos nos quais se verificaram situações de estratificação das albufeiras e a redução dos níveis de oxigénio dissolvido, ao longo da coluna de água.

Para a execução deste projeto tornou-se necessário executar trabalhos de escavação no leito do rio a jusante da barragem de Bemposta. A execução dos referidos trabalhos obrigou igualmente a estabelecer condicionamentos em toda a cascata do rio Douro. No caso de Bemposta, em períodos pontuais, houve a necessidade de interromper a passagem de caudal para jusante, à exceção de algum caudal ecológico. Os períodos de caudal condicionado previstos durante a obra decorreram durante um a dois meses, no período de estiagem de 2008, 2009 e 2011.

Como medidas complementares previstas, apenas houve a necessidade, durante a estiagem de 2009, em duas ou três situações pontuais, em proceder à realização de turbinamentos nos aproveitamentos existentes a montante, de modo a obter alguma renovação da água, nomeadamente, em território espanhol, uma vez que a qualidade da água das albufeiras espanholas - Villalcampo e Ricobayo - estava a deteriorar-se.

Plano de Monitorização da Avifauna

Para que serve?

Esta iniciativa permite garantir que a construção da obra não tem impactes significativos na avifauna circundante, uma vez que decorre numa área de relevante interesse - no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), que, em termos avifaunístico constitui uma das zonas mais importantes no contexto nacional e mesmo ibérico.

O que se está a ser feito?

O Plano de Monitorização de Avifauna consiste, numa primeira fase, na realização de visitas de reconhecimento dos ninhos de aves rupícolas, situados a menos de 5 km da barragem de Bemposta. As visitas de reconhecimento decorrem entre Dezembro e Abril, à razão de duas a três visitas por semana.

A monitorização incide sobre as seguintes espécies: Abutre-do-Egipto/Britango (Neophron percnopterus), Grifo (Gyps fulvus), Cegonha-preta (Ciconia nigra), Águia-real (Aquila chrysaetos) e Águia-de-Bonelli (Hieraatus fasciatus).

Os ninhos instalados a menos de 2 km foram filmados com sistema de vigilância intensiva com captação de imagens vídeo aquando da realização das explosões, nos dois primeiros anos de construção, de modo a avaliar a perturbação provocada por esta actividade. Os ninhos instalados entre os 2 e 5 km são igualmente monitorizados, semanalmente, mas sem gravação de imagem. Estas filmagens decorrem durante a fase mais crítica do período de nidificação, geralmente até Junho. Finde este período, as observações são menos intensas, à razão de uma a duas por semana, até os juvenis se tornarem autónomos e deixarem o ninho.

A informação obtida nas visitas é reportada com o preenchimento de fichas de campo e emissão de relatórios que são encaminhados para EDP, PNDI e Parque Natural das Arribes del Duero (em Espanha) e integradas nos relatórios do Plano de monitorização que são enviados para a Agência Portuguesa do Ambiente semestralmente. O plano de monitorização tem dois objectivos principais:
  • Observar e registar o efeito das explosões decorrentes das obras de construção do reforço de potência de Bemposta sobre determinadas aves que vivem nas escarpas que que fazem ninhos nas proximidades apontadas como alvo de monitorização.
  • Acompanhar a evolução da nidificação e verificar o sucesso da criação das aves, mesmo após a cessação das explosões, como medida de apreciação genérica de impactes sobre as aves nidificantes consideradas.
Outros métodos utilizados são a observação directa, através de binóculos e telescópio, e registo fotográfico por intermédio de digiscoping.

Complementarmente ao estipulado no âmbito da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) do projeto em causa, a EDP alargou esta observação a outras espécies de aves de rapina ou rupícolas existentes na área de estudo.

Principais Resultados

Desde 2008 que os resultados obtidos são positivos, com o número de ninhos a aumentar e recorrente sucesso na reprodução. Não houve necessidade de implementar nenhum tipo de medidas corretivas, pois a obra não teve impactes negativos significativos na avifauna.

  Nº de ninhos Nº de Crias
Espécie 2008 2009 2010 2008 2009 2010

abutre-do-Egipto
(Neophron percnopterus)
 
1 3 3 1 1 3
(1 por ninho)

Águia-real
(Aquila chrysaetos)
 
1 0 0 1 0 0

cegonha-preta
(Ciconia nigra)
 
1 1 1 2 3 1

grifo
(Gyps fulvus)
 
2 4 4 2
(1 por ninho)
3
(1 por ninho)
4
(1 por ninho)

águia de Bonelli
(Aquila fasciata)
 
0 1 2 0 1 2
(1 por ninho)

Falcão-peregrino
(Falco peregrinus)
 
1 1 0 não confirmadas 2 0

Plano de Monitorização da Flora

Para que serve?

Tendo sido identificadas duas áreas de elevado interesse florístico na área de intervenção e na sua envolvente próxima (Micro-reserva Botânica de Quartel da Guarda e de Gãvilas) foram definidas diversas medidas de minimização, que visam assegurar a preservação dos referidos locais, destacando-se, entre outras, a delimitação física da micro-reserva, a sensibilização ambiental dos trabalhadores em obra e a preservação de sementes locais para posterior produção de exemplares arbustivos a utilizar na recuperação paisagística das áreas intervencionadas pelo projeto de modo a preservar o património genético da região.

O que está a ser feito?

A preservação das espécies locais passou pelo levantamento exaustivo de espécies de interesse a conservar, e após autorização emitida pelo Parque Natural do Douro Internacional, procedendo-se posteriormente à colheita de sementes com o intuito deste material poder vir ser utilizado, na fase final de obra, aquando da recuperação paisagística de zonas intervencionadas pelo projeto.

As sementes recolhidas foram, posteriormente, encaminhadas para o Banco Português de Germoplasma Vegetal, sito em Braga (BPGV - DRAEDM) para serem conservadas ex-situ, a médio e a longo prazo.

Principais resultados

Em síntese colheram-se sementes de uma totalidade de 27 espécies, das quais parte, endémicas, raras e/ou ameaçadas, e que foram enviadas, para conservação ex-situ, para o Banco Português de Germoplasma Vegetal.

Procedeu-se ao registo fotográfico das espécies cujas sementes foram conservadas e ao preenchimento de fichas de colheita com informação detalhada acerca de cada uma delas.

Garantiu-se a Proteção da área de micro-reserva botânica proposta (espécies endémicas, raras ou características do habitat arenoso de leito de cheia existente a jusante da barragem de Bemposta), não estando em risco a sobrevivência das espécies.

Apresentam-se seguidamente os locais de implantação das micro-reservas e umas fotografias de algumas das espécies recolhidas

Até à data, não foi necessário proceder a implementação de medidas correctivas, nem se prevê que venham a ser necessárias uma vez que o impacte causado pela obra tem sido minimizado.

No ano de 2009, está prevista uma nova campanha de recolha de sementes.

Plano de Monitorização dos Peixes

Porque é que esta iniciativa é considerada necessária?

Durante a fase de construção do reforço de potência de Bemposta é necessário proceder ao abaixamento das cotas das albufeiras de Bemposta e Aldeadávila e condicionar os caudais afluentes durante as estiagens dos dois primeiros anos de construção, 2008 e 2009, e último ano, 2011.

Para a construção deste projecto torna-se necessário executar trabalhos de escavação no leito do rio a jusante da barragem de Bemposta a fim de melhorar as condições de vazão a jusante da restituição e permitir a execução da ensecadeira provisória necessária à construção do bocal da restituição.

A execução dos referidos trabalhos obriga a estabelecer condicionamentos em toda a cascata do rio Douro, e à limitação de caudais, na barragem de Bemposta, em Agosto e Setembro de 2008 e 2009, em Julho e Agosto de 2011; e ao abaixamento do nível da água da albufeira de Aldeadávila em igual período.

Essas descidas do nível da água estão a ser acompanhadas por um Plano de Vigilância da Qualidade das Águas.

De forma a garantir que a construção da obra não tem impactes significativos na Fauna Piscícola, paralelamente à vigilância da água, são assim avaliadas as situações de risco para a fauna piscícola e aplicadas medidas de modo a prevenir a mortandade dessa comunidade.

O que se está fazer?

O Plano consiste em visitas regulares ao local da obra e à análise da qualidade da água, dando-se particular relevância aos factores físicos e biológicos, nomeadamente, ocorrência de estratificação térmica e grau de eutrofia; ao teor do Oxigénio dissolvido e aos dados relativos a factores químicos tóxicos ou indicadores de qualidade da água.

As recolhas são efectuadas em duas estações na albufeira ( a 300 m e a 1300 m do paredão) e a 3 cotas (superfície, intermédia e de fundo), intensificando-se nos períodos de abaixamentos e condicionamentos. De Junho a Outubro, são complementarmente feitos perfis de oxigénio e temperatura semanais.

Principais resultados

Constatou-se que o abaixamento do nível da água não ocasionou diferenças significativas na qualidade de água, face a análises realizadas em anos anteriores. A jusante da barragem de Bemposta, em 2008 e 2009, devido à interrupção dos turbinamentos, verificou-se o confinamento de peixes em pequenas charcas. Os locais foram alvo de intervenção, tendo-se optado-se pela remoção e translocação dos peixes ou, num dos casos, pela manutenção do ecossistema, por bombagem de água durante o período de caudal nulo.

De um modo geral, os resultados tem sido satisfatórios. Ainda que os níveis de O2 tenham diminuindo nas estiagens, nos períodos de condicionamentos de caudais e nos abaixamentos, não se verificaram impactes negativos significativos nos peixes na albufeira de Bemposta. Registaram-se dois episódios de mortandade de peixes: no Verão de 2008, a jusante da barragem de Bemposta; e em 2010, na albufeira de Bemposta. Em ambos os casos, a mortandade foi da ordem das centenas. Os peixes recolhidos foram essencialmente da espécie Perca-sol.

O impacte provocado na fauna piscícola pelas obras do reforço de potência do aproveitamento hidroeléctrico de Bemposta foi negativo, mas de reduzida magnitude e pouco significativo. Os resultados agora apresentados estão de acordo com a previsão do EIA.

Plano de Monitorização do Ruído

Este programa decorre ao longo de todo o período da obra e tem por objectivo avaliar os níveis de ruído emitidos pela obra do reforço de potência e susceptíveis de interferir com os receptores sensíveis.

Esta análise assenta um conjunto de locais de amostragem escolhidos em função dos receptores sensíveis e mediante os resultados que vão sendo obtidos, a empresa adopta medidas ambientais específicas para minimizar os efeitos. Até à data, os níveis sonoros emitidos e registados correspondem ao esperado, não obrigando a nenhuma actuação.

NOTA: As monitorizações da avifauna, flora e fauna piscícola, em curso, estão a ser desenvolvidas pela empresa ECOSFERA - Consultoria Ambiental, Lda. para a EDP - Gestão da Produção de Energia, S. A., Porto.